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Sunday, 28 July 2013

MIA COUTO No livro "Antes de Nascer o Mundo"

Não chegamos mesmo a viver durante a maior parte da vida. Desperdiçamo-nos num espraiada letargia a que, para nosso próprio engano e consolo, chamamos existência. No resto, vamos vagalumeando, acesos por breves intermitências.

Uma vida inteira pode ser virada do avesso num só dia dessas intermitências.

MIA COUTO
No livro "Antes de Nascer o Mundo"


*

Sunday, 14 July 2013

mia couto - sonho

O que faz andar a estrada? 
É o sonho.
Enquanto a gente sonhar,
a estrada permanecerá viva.

(Mia Couto)

foto: Jonas Bendiksen
*



Friday, 12 July 2013

mia couto - esperança


Há também uma estrada 
que passa por dentro de nós 
- a estrada da esperança

MIA COUTO



Sunday, 12 May 2013

Autobiografia de Mia Couto

Autobiografia de Mia Couto



"Nasci na Beira em 1955, sou filho de uma família de emigrantes portugueses que chegaram a Moçambique no princípio dessa década de 50. O meu pai era jornalista e era poeta. Ele publicou cinco ou seis títulos em Moçambique, uma poesia pouco íntima, mas também dois dos livros foram livros que tentaram ser livros de preocupação social, em relação ao conflito da situação existente em Moçambique. Mas eram livros em que a consciência política era mais antifascista, liberal, democrática, mas não questionando ainda a questão colonial. A família do meu pai é gente que enriqueceu um pouco no período da guerra, com garagens, e tinham portanto negócios ligados a automóveis. Eram do Porto.

O meu pai foi para África porque acho que ele queria seguir a carreira jornalística e não havia muita hipótese de emprego nessa altura em Portugal, penso que foi por isso. Mas havia também uma sensação de que eles precisavam de mais espaço, precisavam de começar uma coisa nova. A minha mãe vem duma aldeia de Trás-os-Montes, não tem história porque ela não conheceu a mãe nem o pai. A mãe morreu no parto duma próxima irmã. Ela ficou órfã, abandonada, depois foi acolhida por um padre que se apresentou como sendo tio delas. Então até o nome dela foi rescrito, foi inventado para ela não ter uma ligação com a sua mãe - uma "senhora do pecado". Penso que ela queria muito sair dali quando era nova, o meu pai passou... "distraído", ela agarrou-o e foram para o Porto. Depois foram de Portugal para Moçambique e nascemos nós, três irmãos, eu sou o do meio. Fernando Amado, dois anos mais velho, e o mais novo, que tem uma diferença de sete anos de mim, chama-se Armando Jorge. [...] O meu pai, com um grupo de alguns portugueses que tinham sido deportados de Portugal por motivos políticos, formaram associações do tipo cineclubes, centros culturais onde se faziam debates de certas coisas. O meu pai trabalhava em três jornais, o Notícias da Beira, o Diário de Moçambique e o Notícias, de Lourenço Marques.

[...] A Beira era uma cidade muito conflituosa porque a fronteira entre os brancos e os negros era uma fronteira muito misturada, muito "atravessada". E eu recordo-me - toda a minha infância é uma infância de viver no meio de negros, brincar, com eles, os meus amigos, as pessoas que eu posso referenciar da minha infância, com a excepção dos meus irmãos e mais alguns, todo o resto é uma infância toda vivida ali.

[...] Vivemos em quase todas as partes da Beira. O meu pai mudava constantemente de bairro. Mas era constante essa mistura. Porque a Beira é uma cidade conquistada ao pântano. Então, à medida que era possível secar uma região e construir casa de cimento isso fazia-se. Mas estavam lá as casas dos negros locais. Então, sempre do outro lado da rua havia africanos com casa de caniço. Não tanto esta arquitectura arrumada, de urbanização feita com plano, como aconteceu em Lourenço Marques. Vivi muito nessas zonas suburbanas, periféricas.

[...] Os brancos da Beira eram profundamente racistas. Quando eu saí da Beira para Lourenço Marques, em 1971, parecia-me que estava noutro país, porque na Beira havia quase apartheid em certas coisas. Não podiam entrar negros nos autocarros, só no banco de trás... Enfim, era muito agressivo. No Carnaval os filhos dos brancos vinham com paus e correntes bater nos negros... Recordo-me duma história: eu tinha um senhor que me dava explicações de matemática, privadas, e ele era pai dum coronel que tinha feito um massacre em que tinham sido mortos 125 ou 130 camponeses. E ele tinha fotografias do massacre dentro de casa, como uma glória! Eu só andei uma semana naquelas explicações. Nós chamávamos-lhe o "Bengalão", porque ele tinha uma bengala grande, e quando começava a sessão de estudo ele mandava sair as mulheres - as meninas - e ficava só com rapazes, e dizia: "Cuidado, porque o pretinho está-nos a ouvir, é preciso impedir isso. Na escola eu tenho que baixar as notas dos negros para eles nunca ficarem à vossa frente, vocês têm que me ajudar nesta luta..." - e aquilo era uma coisa que para mim soava horrível.

[...] Eu guardo na minha infância, assim, uma coisa muito esbatida, um ponto de referência, as histórias que me eram contadas, dos velhos que moravam perto, vizinhos do outro lado da rua, de um outro mundo, e eu recordo esse mundo encantado até algumas histórias, sobretudo como eles me deixaram uma marca. Os meus dois irmãos também escreviam, com 16, 17 anos, e o meu irmão Carlos mais cedo, até. O meu pai tinha muito esta coisa que eu era o filho que lhe ia continuar a veia. [...] em 83, publiquei o meu primeiro livro. Como uma espécie de contestação contra o domínio absoluto da poesia militante, panfletária. Para se ser revolucionário era preciso falar de marxismo, nos operários, e eu resolvi fazer um livro de poesia íntima, intimista, lírico. E o Orlando Mendes, que faleceu agora, fez-me um prefácio bonito, explicando que era uma coisa "nova", no sentido de que se pode fazer uma poesia de vanguarda sem se falar muito em política. O livro esgotou-se rapidamente, não é o mérito daquele livro, quase todos eles se esgotavam.

Influências? Do Craveirinha, sim, um pouco do Craveirinha. Mas eu apaixonei-me mais pela linha dos brasileiros, pelo João Cabral de Melo Neto, pelo Carlos Drummond de Andrade. Quando comecei a descobrir o mundo da poesia pensava que os brasileiros tinham valores maiores. Talvez fosse uma resistência minha. Achava que havia uma certa injustiça praticada no relevo que se dava aos poetas portugueses em relação aos brasileiros, quando estes tinham superado os próprios portugueses. Sim, mas também tive a influência de alguns poetas portugueses, como Sofia de Mello Breyner, o Eugénio de Andrade, o Fernando Pessoa."

MIA COUTO

*



TINTIN

TINTIN
personagem criada pelo belga Georges Remi (1907 - 1983), mais conhecido como Hergé. Suas histórias em quadrinhos é motivo de preconeitos, racismos e colonialismos.









***

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Adventures_of_Tintin

Controversy [edit]

The earliest stories in The Adventures of Tintin have been criticised[49][50] for both displaying animal cruelty as well as racial stereotypes, violent, colonialist, and even fascist leanings, including caricatured portrayals of non-Europeans (Ethnocentrism). While the Hergé Foundation has presented such criticism as naïveté,[51] and scholars of Hergé such as Harry Thompson have claimed that "Hergé did what he was told by the Abbé Wallez",[51] Hergé himself felt that his background made it impossible to avoid prejudice, stating that "I was fed the prejudices of the bourgeois society that surrounded me."[29]
In Tintin in the Land of the Soviets, the Bolsheviks were presented without exception as villains. Hergé drew on Moscow Unveiled, a work given to him by Wallez and authored by Joseph Douillet, the former Belgian consul in Russia, that is highly critical of the Soviet regime, although Hergé contextualised this by noting that in Belgium, at the time a devout Catholic nation, "Anything Bolshevik was atheist".[29] In the story, Bolshevik leaders are motivated only by personal greed and by a desire to deceive the world. Tintin discovers, buried, "the hideout where Lenin, Trotsky, and Stalin have collected together wealth stolen from the people". Hergé later dismissed the failings of this first story as "a transgression of my youth".[51] By 1999, some part of this presentation was being noted as far more reasonable, with British weekly newspaper The Economist declaring, "In retrospect, however, the land of hunger and tyranny painted by Hergé was uncannily accurate".[52]
Tintin in the Congo has been criticised as presenting the Africans as naïve and primitive. In the original work, Tintin is shown at a blackboard addressing a class of African children. "Mes chers amis," he says, "je vais vous parler aujourd'hui de votre patrie: La Belgique" ("My dear friends, I am going to talk to you today about your fatherland: Belgium"). Hergé redrew this in 1946 to show a lesson in mathematics.[53][54] Hergé later admitted the flaws in the original story, excusing it by saying, "I portrayed these Africans according to ... this purely paternalistic spirit of the time".[29] The perceived problems with this book were summarised by Sue Buswell in 1988[55] as being "all to do with rubbery lips and heaps of dead animals" although Thompson noted this quote may have been "taken out of context".[51] "Dead animals" refers to the fashion for big game hunting at the time of the work's original publication.
Drawing on André Maurois' Les Silences du colonel Bramble, Hergé presents Tintin as a big-game hunter, accidentally killing fifteen antelope as opposed to the one needed for the evening meal. However, concerns over the number of dead animals did lead the Scandinavian publishers of Tintin's adventures to request changes. A page which presented Tintin killing a rhinoceros by drilling a hole in the animal's back and inserting a stick of dynamite was deemed excessive, and Hergé substituted a page in which the rhino accidentally discharges Tintin's rifle while he slept under a tree.[37] In 2007 the UK's Commission for Racial Equality called for the book to be pulled from the shelves after a complaint, stating that "it beggars belief that in this day and age that any shop would think it acceptable to sell and display 'Tintin In The Congo'."[56][57] In August 2007, a complaint was filed in Brussels, Belgium, by a Congolese student, claiming the book was an insult to the Congolese people. Public prosecutors are investigating, however, Belgium's Centre for Equal Opportunities warned against "over-reaction and hyper political correctness".[58]
Some of the early albums were altered by Hergé in subsequent editions, usually at the demand of publishers. For example, at the instigation of his American publishers, many of the black characters inTintin in America were re-coloured to make their race white or ambiguous.[59] The Shooting Star originally had an American villain with the Jewish surname of "Blumenstein". This proved to be controversial, as the character exhibited exaggerated stereotypically Jewish characteristics. "Blumenstein" was changed to an American with a less ethnically specific name, Mr. Bohlwinkel, in later editions and subsequently to a South American of a fictional country – São Rico. Hergé later discovered that 'Bohlwinkel' was also a Jewish name.[26]


TINTIN
filme dirigido pelo Spielberg - 2011
Secret of the Unicorn


*

Mia Couto & Sebastião Salgado

dobras visuais
http://www.dobrasvisuais.com.br/2013/05/o-que-e-fotografia-mia-couto-vi/


O que é fotografia? | Mia Couto VI


Sebastião Salgado: Genesis, Zambia, 2010.
“- Vou fazer uma reportagem da caçada, fui contratado pela mesma empresa que o contratou a si.
- Tenho certeza de que vai gostar. E os leões vão gostar de saber que a morte deles merece uma reportagem.
É a primeira vez que vou participar numa caçada. Devo dizer, sem ofensa, que sou contra.
- Contra o quê?
- Contra as caçadas. Ainda por cima tratando-se de leões.
- O problema, caro escritor, é que você nunca viu um leão.
- Como nunca viu?
- Viu leões em safaris fotográficos, mas você não sabe o que é um leão. O leão só se revela, em verdade, no território em que ele é rei e senhor. Venha comigo a pé pelo mato e saberá o que é um leão. (…)
Henrique Baleiro cumpria o resto do ritual: invariavelmente, metia a carta num envelope que humedecia nos lábios e que depois guardava na mala de viagem. Transportava aquelas cartas para as demoradas caçadas. Levava também uma fotografia desfocada de Martina.
- Está assim, sem foco, para os outros verem, mas não olharem demais. (…)

Sebastião Salgado: Genesis, Congo, 2004.

Sebastião Salgado: Genesis, Botswana, 2007.
Aqueles que matamos, por mais estranhos e inimigos que sejam, tornam-se nossos parentes para sempre. Nunca mais se retiram, permanecem mais presentes que os vivos. (…)
Sou um caçador. Eu não mato, eu caço. (…)
O escritor segue atrás de mim, de máquina fotográfica a tiracolo. (…) Os aldeões suspendem a cerimônia, em silêncio, observam-nos com animosidade. Está patente no olhar que nos lançam: somos intrusos, estamos contaminando o momento. De imediato, o escritor percebe que está fora de questão tirar fotografias. (…)
Então percebo: aqueles caçadores já não são gente. São leões. Aqueles homens são os próprios animais que pretendem caçar. Aquela praça apenas confirma: a caça é uma feitiçaria, a última das autorizadas feitiçarias. (…)
Extasiado, o escritor comenta:
- Espetáculo inesquecível! Uma exibição telúrica, que pena não ter podido fotografar! (…)
Sabia que o pisteiro e a leoa morreram abraçados, como se os dois se reconhecessem, íntimos parentes.
- Tivemos que separar os corpos, com muito custo. Aquilo parecia um parto às avessas. Dizem que o escritor até chorou. Nem conseguiu fotografar. (…)
Máquina fotográfica balançando no peito, o escritor segue atrás de mim. Os espinhos roçam-me as pernas e os braços. Um rastro de sangue é a minha herança. Sou um caçador que sangra mais do que a vítima. (…)
A leoa tinha sido morta junto à estrada. A esta hora já fora conduzida para a aldeia onde iria ser exibida como uma prova do êxito da caçada. Restava o macho, que se apresentava imponente. Por esta razão, o administrador pediu que se fotografasse não a leoa mas o leão: a imagem renderia mais nos noticiários da nação. (…)
- Fotografe-me a mim, junto com o troféu – insiste o administrador. (…)
Não é matar que me fascina. É esse encontro com o esquivo milagre, o fugaz e irrepetível momento.”
Mia Couto em A confissão da leoa [São Paulo: Companhia das Letras, 2012].
Para conhecer mais: Sebastião Salgado: Genesis.
No Dobras:
O que é fotografia? | Mia Couto: I – II – III – IV – V.

Sebastião Salgado: Genesis, Galápagos, 2007.
*

‘Algerian Chronicles,’ by Albert Camus

http://www.nytimes.com/2013/05/12/books/review/algerian-chronicles-by-albert-camus.html?pagewanted=all&_r=1&


The Postcolonial

‘Algerian Chronicles,’ by Albert Camus

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Albert Camus was that rare writer who enjoyed a celebrity usually reserved for rock stars, even while being taken very seriously as an artist and a public intellectual. His first novel, “The Stranger,” published in 1942 when he was 29, made him famous; after that came more novels, plays, lyrical essays, short stories, two major philosophical works (“The Myth of Sisyphus” and “The Rebel”), and countless newspaper articles, editorials and political commentaries. In 1957, at age 44, he was awarded the Nobel Prize in Literature, the second-youngest writer ever to receive the prize (after Rud­yard Kipling). Less than three years later, in January 1960, he was killed in a car crash; people the world over mourned.
Kurt Hutton/Getty Images
Albert Camus

ALGERIAN CHRONICLES

By Albert Camus
Translated by Arthur Goldhammer
Edited by Alice Kaplan
224 pp. The Belknap Press/Harvard University Press. $21.95.
Camus was born in Algeria in 1913, into a poor French family that had settled in the colony generations earlier. His father, an employee at a winery, was drafted at the outbreak of World War I and died soon after. His mother, deaf and illiterate, supported her two sons by cleaning houses. (Camus draws a loving portrait of her in his unfinished autobiographical novel, “The First Man,” published in 1994.) Although he never lived in Algeria after 1942, he returned there regularly to visit his family. He maintained warm friendships with childhood friends and cordial relations with a number of Arab intellectuals.
When the Algerian war for independence broke out in 1954, Camus was devastated. For years he had voiced strong criticism of French colonial policy in Algeria, and was forced to leave the country in 1940 after the authorities shut down the newspaper where he had published his most critical articles. He considered himself Algerian. In 1954, one million French citizens lived in Algeria, three-quarters of them born there. Even the poorest of them enjoyed privileges not extended to the nine million Arabs and Berbers who also lived there, often in horrifying poverty, as Camus had shown in his 1939 series of articles on “The Misery of Kabylia.” With other left-leaning intellectuals, Camus argued for economic and political reforms; in the 1940s he supported the Arab leader Ferhat Abbas, who called for political representation for Algeria’s Muslims in a federation with France. When even such modest proposals were scuttled by hard-line French settlers and the French government, power among Arabs shifted to the independence movement, which had concluded that only violence could make the French budge. The bloody war that ensued lasted eight years; terrorism and brutal repression — including the torture of militants by the French Army — reinforced each other in a deadly cycle. Even a regime change in France, with Charles de Gaulle returning as president of the Fifth Republic in 1958, could not stop the bleeding for another four years.
Camus was caught in the middle: a passionate believer in justice for all, he supported Arab aspirations for political rights but could not give up his own love of, and claim to, Algeria. Above all, he felt outrage and horror at the blood being shed on both sides. In 1955, when Arab moderates were still calling for dialogue, Camus’s friend Aziz Kessous, a socialist close to Ferhat Abbas, asked him to write in support of a newspaper he had founded. Camus responded with his “Letter to an Algerian Militant,” printed on the front page of the first issue. This text, heartbreaking in many ways, shows both Camus’s hopeful vision for the country and his growing awareness that it was becoming unrealizable.
Just weeks before, on Aug. 20, a new ­escalation had occurred: Arab guerrillas in the north attacked and killed French settlers, along with some Muslim civilians; the army responded by massacring thousands of Arabs. Camus begins his letter by roundly condemning the massacre, which has put him “on the edge of despair.” He continues, “You and I, who are so alike, who share the same culture and the same hopes, who have been brothers for so long . . . know that we are not enemies.” Yet this hopeful note is soon followed by a negative one: “I know from experience that to say these things today is to venture into a no man’s land between hostile armies. It is to preach the folly of war as bullets fly.”
This letter was included in Camus’s “Chroniques algériennes,” a selection of texts, mostly newspaper articles, written over a period of 20 years and published in 1958, shortly after de Gaulle’s return to power. It was the last book Camus published in his lifetime, and it appears now in its entirety for the first time in English, expertly translated by Arthur Goldhammer. The editor, Alice Kaplan, has added six texts to Camus’s original selection in an appendix, to further illuminate Camus’s relation to Algeria. (I wish, though, there were a few more editorial notes to give readers background information. Camus’s allusions to contemporary events like the August 1955 massacre were obvious to most of his French readers in 1958 but not to English speakers today.)
As the writings in “Algerian Chronicles” make clear, Camus’s position in “no man’s land” left him increasingly isolated: hated by the right for his condemnation of government policies, scorned by the left for his inability to imagine an independent Algeria from which the French would be absent.
Kaplan’s introduction traces the evolution of Camus’s positions on the Algerian conflict, as well as the ups and downs of critics’ judgments of them. While Camus’s first readers saw him as a philosopher concerned with universal questions of human existence, some influential critics writing after the 1970s considered him a typical pied noir (the usual, sometimes pejorative designation for French people from Algeria), whose works present a colonialist perspective. In recent years, however, the pendulum has swung back; Kaplan notes that the bloody civil war of the 1990s in Algeria has made many Algerian intellectuals appreciate Camus’s steadfast rejection of violence, even when it is committed in the name of high principles. Obviously, this does not apply only to Algeria.
Some of the most memorable pages here restate an argument Camus had already developed at length in “The Rebel”: not all means are acceptable, even when employed for noble ends; terrorism and torture destroy the very goals they are supposed to serve. This position was criticized as “idealist” (it was the reason for the famous break with Sartre), but Camus sticks to it — admirably, in my opinion: “Although it is historically true that values such as the nation and humanity cannot survive unless one fights for them, fighting alone cannot justify them (nor can force). The fight must itself be justified, and explained, in terms of values.”
Even more eloquent, perhaps, are his remarks on the responsibility of intellectuals in times of hatred: “It is to explain the meaning of words in such a way as to sober minds and calm fanaticisms.” Great writer that he was, Camus placed hope in the calming power of language carefully used, and of reason; in the preface, he asks his readers to “set their ideological reflexes aside for a moment and just think.”
And that, of course, is the best reason for reading these articles today. Algeria never did become the peaceful federation Camus dreamed of, where pieds noirs and Arabs, Berbers and Jews lived together. As Kap­lan points out, we cannot know how he would have reacted to the final years of the war, or to the independence that followed. We do know that his ethical positions are still meaningful, worldwide.
Susan Rubin Suleiman, a professor of French and comparative literature at Harvard, is the author of “Crises of Memory and the Second World War” and co-editor of “French Global: A New Approach to Literary History,” among other books.

Saturday, 11 May 2013

MIA COUTO "Contos do nascer da terra"


O mundo necessita ser visto sob outra luz: 
a luz do luar
essa claridade que cai 
com respeito e delicadeza.
Só o luar revela o lado feminino dos seres .
Só a lua revela revela intimidade 
da nossa morada terrestre.

MIA COUTO
"Contos do nascer da terra"

 Luas, de Angela Felipe

*

Tuesday, 23 April 2013

oswald de andrade

Tiago Silva
*

O Sul-Americano Calabar

Torcida indígena a favor de um imperialismo "civilizador". Leitor pequeno-burguês, não será você?
No Brasil há duas correntes de opinião: os que acreditam que a guerra holandesa acabou e os que sabem perfeitamente que ela continua, através de fundings, empréstimos e tomadas de poder por este ou aquele grupo calabarista.

~ Oswald de Andrade

Monday, 22 April 2013

poesias de boaventura de sousa santos

CONFRARIA - arte e literatura
http://www.confrariadovento.com/revista/numero8/poesia01.htm





boaventura de sousa santos

viagem a centro da pele


 

Ao Espelho no Hostal del Bosque Izquierdo
 
Estou relativamente sólido
entre duas velas
neste hostal errado onde moro devagar
às cinco horas da manhã
quando a cama se enche de condições
e os enigmas, tal como o arroz, só fazem bem
aos intestinos.
Este vidro é uma engrenagem agitada
pelo tremor dos anos e das vísceras:
o álcool concentra-se na urgência de ser útil
enquanto os astros elásticos
explodem em desastres de papel.

A virtuosidade ociosa das mãos
sobre um sexo morto
provoca humildades inimagináveis
que não vêm de dentro nem de fora.

Só as sementes estão no lugar
acondicionadas num museu de espaços.

As águas pensam.
Quando pensam muito
chamam-se espelhos.

 

Jantar numa Sala Deserta

E um retrato obscuro ou incompleto:
não amanhece nem há sombras,
dois corvos, talvez dois corpos
oscilam a meia altura
entre uma cama ofegante ou irrespirável
e um vaso de sumo violento
ou apenas desconfiado do sucedido

a composição dos fragmentos
parece mover-se por descuido
e aproxima-se de um rasgo fundo
onde está uma mãe
à espera
por engano

o desassossego
concentrado onde não deve:
a doce fibra do ventre
entretém-se à beira do gozo
com palavras milenárias
para guardar o sangue dentro.

Os ventos
levam sempre as instruções do corpo
até onde não há vento
 


Um Cigarro no Bradley's

Sempre que acendo um fósforo
com o micro-rigor que recomendas
queimo-me
e a todas as cautelas em redor

reduz-se a razão
às razões que temos,
concentra-se o futuro
nas proximidades,
repetem-se erros fanáticos
até parecerem diplomas
de descuidos bem estudados

entretanto os séculos
acumulam-se e o corpo
mesmo deitado
tropeça

só o fim começa
 


Os Pássaros de Fordwich

Escrevo-te ao microscópio
e pergunto-me se é comum
não ser parecido com o nome.

Sei que é portátil
e de arrumação instantânea
como os botões e as chaves
mas também sei
que nos tamanhos mais perfeitos
não cabem coisas simples
como a tesão inesperada da tarde
ou a língua avulsa do sexo
que me deixa à rédea solta
até poder estar de volta.

Se me perderes
chama ao acaso pelos pássaros de Fordwich
pelo cormorant, crested grebe, canada
goose, moor hen, coot, swan,
cygnet
talvez acertes,
se não em mim,
em quem estiver perto e me conheça.

O nome é uma imitação
que alastra e dura.



Superfícies Apetecidas


Os aromas não chegam a incendiar.

Os lugares são breves
e não se entregam até ao fm:
entretanto escurece
e o dia seguinte já não é aqui.

Estão proibidas as palavras numerosas,
mas ninguém está preparado
para verdades abruptas.

Debruço-me o mais que posso:
não vejo mais que os pés,
carne dupla
que nem sequer exagera
e caminha para mim como um parente afastado
que terei esquecido anos a fio
entre a louça da cozinha.

Vou e venho no mesmo bar
inconsistente como as conclusões
que ficam para depois:
terei desobedecido a algum anúncio?

 

Se Eu Fosse Mulher

Se eu fosse mulher,
teria uma história pessoal para contar.
Se eu fosse mulher,
diria as amenidades do costume
de modo impessoal e com os dentes cerrados
para não ofender as autoridades.
Se eu fosse mulher,
diria obrigada, obrigada
e seria obrigada a dizê-lo até estar grata.
Se eu fosse mulher,
sentiria a revolta do corpo
que chega sempre tarde de mais
por culpa d'outrem.
Se eu fosse mulher,
entraria em casa como quem sai de si
e sairia de casa como quem sai de si.
Se eu fosse mulher,
trocaria mil carícias
por uma e um discurso
sobre o preço justo.
Se eu fosse mulher,
estava sempre à entrada e à saída dos poderes
nunca dentro, sempre fora,
e sem mostrar vontade de entrar ou de ir embora.
Se eu fosse mulher,
teria filhos e os filhos dos meus filhos
e talvez ainda fosse culpada pelos filhos dos outros.
Se eu fosse mulher,
estaria aqui e ali, agora e sempre,
amanhã e depois, em cima e em baixo,
sem nunca poder estar por estar,
ou estar talvez
ou não estar nunca.
Se eu fosse mulher,
não me podia esquecer dos aniversários
nem das coisas simples como pílulas e preservativos
ou como menstruar-me fora dos fins de semana.
Se eu fosse mulher,
a população toda do mundo dependeria de mim,
mas como se fosse eu a depender dela.
Se eu fosse mulher,
leria as cartas
e seguiria à risca os sentimentos
sem poder dar nada a entender.
Se eu fosse mulher,
daria ao mundo todos os orgasmos
sem deixar nenhum para mim.
Se eu fosse mulher
teria à minha disposição um catálogo de doenças
e só se fosse puta ou louca
me serviria para além dele.
Se eu fosse mulher,
preparava a comida a pensar em explosivos.
Se eu fosse mulher,
teria de me deitar devagar,
não fosse o sono acordar.
Se eu fosse mulher,
sentiria as mãos onde não queria
e quereria as mãos onde as não tinha.
Se eu fosse mulher,
teria de fazer do trabalho alegria e da alegria trabalho e do trabalho trabalho e da alegria tristeza.
Se eu fosse mulher,
teria de me sentir em ruínas
para alguém se não sentir em ruínas.
Se eu fosse mulher,
teria de esperar que alguém me dissesse
e esperar o momento para lhe dizer que não me dissesse.
Se eu fosse mulher,
teria de cair nos braços com mil cuidados
para cair no lugar e no momento certos
e sobretudo para não magoar.
Se eu fosse mulher,
desejaria repetidamente Bom Natal, Feliz Ano Novo, feliz aniversário a toda a gente
e defender-me-ia em silêncio
de quem me desejasse tudo
de repente.
Se eu fosse mulher,
teria de dar prazer às claras
para ter prazer às escondidas.
Se eu fosse mulher,
o mundo esmagar-me-ia com gratidão.
Se eu fosse mulher,
teria de tomar conta de quem toma conta
até cair de bruços
nos meus braços.
Se eu fosse mulher,
cantaria o futuro no supermercado
e usaria o tempo entre o jantar e o arrumar da cozinha para escrever um grande poema.
Se eu fosse mulher,
o meu computador estaria decorado de recados domésticos,
tais como, sal, arroz, fraldas, aniversário, dentista,
escola, pediatra, lâmpadas, sobremesa, luz, telefone.
Se eu fosse mulher,
daria a Deus o que é de Deus
e a César o que é de César
e seria egoísta se reclamasse
de não ficar nada para mim.
Se eu fosse mulher,
ao menos viveria mais tempo
estatisticamente.
Se eu fosse mulher,
seria demasiado honesta, por não ser puta,
e demasiado puta, por não ser honesta.
Se eu fosse mulher,
não haveria melindres que me melindrassem
e apertaria o coração violentamente
até ele se abrir a toda a impertinência.
Se eu fosse mulher,
investigariam o meu corpo cientificamente
e eu leria os resultados nos jornais
sem me deixar ofender por tanta eloquência.
Se eu fosse mulher,
seria mortal
apesar de viver mais tempo
que os imortais da família.
Se eu fosse mulher,
iria passear preocupada com o passeio
despreocupado das crianças e do marido
e com a preocupação dos que passeiam preocupados
ou nem sequer passeiam
para não se preocuparem.
Se eu fosse mulher,
teria de ter ânimo para me vestir e despir
segundo a moda e o emprego,
e manter a calma
apesar do medo
na alma.
Se eu fosse mulher,
teria de servir Deus, Pátria e Família
e ficar à espera dos deveres
sem poder dizer que o Diabo escolha.
Se eu fosse mulher,
quereriam que eu fosse mulher
e eu seria,
mas só na condição de o homem
ser apenas homem
tanto de noite como de dia.
 


BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS é diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison. É um dos principais pensadores das questões sociais contemporâneas em língua portuguesa. Sociólogo, autor, entre outros, da coleção Reinventar a emancipação social: para novos manifestos, em sete volumes, da editora Civilização Brasileira. Mais conhecido como pensador, é autor de Escrita INKZ, livro que o lançou como poeta no Brasil. Os poemas acima, inéditos, fazem parte de um próximo livro, a ser lançado pela editora Aeroplano.

Monday, 18 March 2013

Mia Couto - identidade


Identidade
Preciso ser um outro 
para ser eu mesmo 

Sou grão de rocha 
Sou o vento que a desgasta 

Sou pólen sem insecto 

Sou areia sustentando 
o sexo das árvores 

Existo onde me desconheço 
aguardando pelo meu passado 
ansiando a esperança do futuro 

No mundo que combato morro 
no mundo por que luto nasço 

Mia Couto
"Raiz de Orvalho e Outros Poemas"






Saturday, 16 March 2013

Los derechos del hombre y la tierra -- Eduardo Galeano

rebelión
http://www.rebelion.org/mostrar.php?tipo=5&id=Eduardo%20Galeano&inicio=0

galeano por juan manoel


Los derechos del hombre y la tierra


Mensaje del autor de Las Venas abiertas de América Latina a los asistentes a la Cumbre de la Madre Tierra que se celebra la semana que viene en Bolivia, como alternativa a la Cumbre sobre el Cambio Climático en Copenhague

Lamentablemente, no podré estar con ustedes. Ojalá se pueda hacer todo lo posible, y lo imposible también, para que la Cumbre de la Madre Tierra sea la primera etapa hacia la expresión colectiva de los pueblos que no dirigen la política mundial, pero la padecen.
Ojalá seamos capaces de llevar adelante estas dos iniciativas del compañero Evo [Morales, presidente de Bolivia], el Tribunal de la Justicia Climática y el Referéndum Mundial contra un sistema de poder fundado en la guerra y el derroche, que desprecia la vida humana y pone bandera de remate a nuestros bienes terrenales.
Ojalá seamos capaces de hablar poco y hacer mucho. Graves daños nos ha hecho, y nos sigue haciendo, la inflación palabraria, que en América Latina es más nociva que la inflación monetaria. Y también, y sobre todo, estamos hartos de la hipocresía de los países ricos, que nos están dejando sin planeta mientras pronuncian pomposos discursos para disimular el secuestro.
Hay quienes dicen que la hipocresía es el impuesto que el vicio paga a la virtud. Otros dicen que la hipocresía es la única prueba de la existencia del infinito. Y el discurserío de la llamada “comunidad internacional”, ese club de banqueros y guerreros, prueba que las dos definiciones son correctas.
Yo quiero celebrar, en cambio, la fuerza de verdad que irradian las palabras y los silencios que nacen de la comunión humana con la naturaleza. Y no es por casualidad que esta Cumbre de la Madre Tierra se realiza en Bolivia, esta nación de naciones que se está redescubriendo a sí misma al cabo de dos siglos de vida mentida.
Bolivia acaba de celebrar los diez años de la victoria popular en la guerra del agua, cuando el pueblo de Cochabamba fue capaz de derrotar a una todopoderosa empresa de California, dueña del agua por obra y gracia de un Gobierno que decía ser boliviano y era muy generoso con lo ajeno.
Esa guerra del agua fue una de las batallas que esta tierra sigue librando en defensa de sus recursos naturales, o sea: en defensa de su identidad con la naturaleza. Bolivia es una de las naciones americanas donde las culturas indígenas han sabido sobrevivir, y esas voces resuenan ahora con más fuerza que nunca, a pesar del largo tiempo de la persecución y del desprecio.
El mundo entero, aturdido como está, deambulando como ciego en tiroteo, tendría que escuchar esas voces.
Ellas nos enseñan que nosotros, los humanitos, somos parte de la naturaleza, parientes de todos los que tienen piernas, patas, alas o raíces.
La conquista europea condenó por idolatría a los indígenas que vivían esa comunión, y por creer en ella fueron azotados, degollados o quemados vivos.
Obstáculo al progreso
Desde aquellos tiempos del Renacimiento europeo, la naturaleza se convirtió en mercancía o en obstáculo al progreso humano. Y hasta hoy, ese divorcio entre nosotros y ella ha persistido, a tal punto que todavía hay gente de buena voluntad que se conmueve por la pobre naturaleza, tan maltratada, tan lastimada, pero viéndola desde afuera. Las culturas indígenas la ven desde adentro.
Viéndola, me veo. Lo que contra ella hago, está hecho contra mí. En ella me encuentro, mis piernas son también el camino que las anda.
Celebremos, pues, esta Cumbre de la Madre Tierra. Y ojalá los sordos escuchen: los derechos humanos y los derechos de la naturaleza son dos nombres de la misma dignidad.
Fuente: Diario Público, 18/4/2010, p. 16

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Eduardo Galeano
09-03-2013

Uruguay, cuando las leyes son mas importantes que los derechos humanos
La Justicia en su laberinto
Emilio Cafassi, Eduardo Galeano, Juan Gelman y Jorge Majfud
28-02-2013

La charla de Eduardo Galeano en CLACSO de México DF
Los derechos de los trabajadores: ¿un tema para arqueólogos?
Eduardo Galeano
27-11-2012

Gaza
Eduardo Galeano
23-11-2012

Los derechos de los trabajadores
¿Un tema para arqueólogos?
Eduardo Galeano
19-11-2012

La vida según Galeano (XIII)
El mundo se rifa
Eduardo Galeano
27-04-2012

La vida según Galeano (XII)
Te doy mi palabra
Eduardo Galeano
25-04-2012

La vida según Galeano (XI)
Mapamundi
Eduardo Galeano
23-04-2012

La vida según Galeano (X)
El miedo manda
Eduardo Galeano
21-04-2012

La vida según Galeano (IX)
El arcoíris terrestre
Eduardo Galeano
19-04-2012

La vida según Galeano (VIII)
Los nadies
Eduardo Galeano
17-04-2012

La vida según Galeano (VII)
Hijos de África
Eduardo Galeano
15-04-2012

La vida según Galeano (VI)
Memorias y desmemorias
Eduardo Galeano
13-04-2012

La vida según Galeano (V)
Amares
Eduardo Galeano
11-04-2012

La vida según Galeano (IV)
Futbolerías
Eduardo Galeano
09-04-2012

La vida según Galeano (III)
Los primeros americanos
Eduardo Galeano
07-04-2012

La vida según Galeano (II)
Niños
Eduardo Galeano
05-04-2012

Primicia del nuevo libro de Eduardo Galeano
Los hijos de los días
Eduardo Galeano
04-04-2012

La vida según Galeano (I)
Mujeres
Eduardo Galeano
03-04-2012

Haití
País ocupado
Eduardo Galeano
02-10-2011

Derecho al delirio
Eduardo Galeano
03-01-2011

Palabras de agradecimiento, al recibir el Premio Stig Dagerman, en Suecia, el 12 de septiembre
Los caminos del viento
Eduardo Galeano
16-09-2010

Grandes inventos de la humanidad
Eduardo Galeano
03-08-2010

El reino mágico
Eduardo Galeano
14-07-2010

Palabras de despedida de Eduardo Galeano, al enterarse de la muerte de su amigo José Saramago
Despedida
Eduardo Galeano
20-06-2010

Roque Dalton
Eduardo Galeano
12-05-2010

Los derechos del hombre y la tierra
Eduardo Galeano
18-04-2010

[Hemeroteca] Artículo publicado el 5 de abril de 2004
La maldición blanca
Eduardo Galeano
20-02-2010

Hemeroteca (publicado el 26 de julio de 1996)
Los pecados de Haití
Eduardo Galeano
21-01-2010

Cuatro frases que hacen crecer la nariz de Pinocho
Eduardo Galeano
05-12-2009

El próximo domingo, oportunidad para poner en urnas un alto a la impunidad en Uruguay
Palabras para las vísperas
Eduardo Galeano
22-10-2009

Discurso del autor uruguayo al recibir la Medalla de Oro del Círculo de Bellas Artes de Madrid
Aprendizaje, desafío y viaje de las palabras
Eduardo Galeano
01-10-2009

Disculpen la molestia: armados contra los pobres
Eduardo Galeano
22-07-2009

"El sentido comunitario de la vida es la expresión más entrañable del sentido común"
Los mapas del alma no tienen fronteras
Eduardo Galeano
13-07-2009

Disculpen la molestia
Eduardo Galeano
09-05-2009

La Universidad Veracruzana de México otorga a Ernesto Cardenal el Doctorado Honoris Causa
Ernesto ha sido y sigue siendo la voz de la revolución sandinista
Eduardo Galeano
17-04-2009

Palabras del escritor uruguayo al recibir el doctorado Honoris Causa de la Universidad veracruzana.
De quien viene y con quien viene
Eduardo Galeano
28-03-2009

Espejos
Eduardo Galeano
23-03-2009

Diálogo Majfud-Galeano
"La vida, una suma de metidas de pata...”
Jorge Majfud y Eduardo Galeano
11-02-2009

Operación Plomo Impune
Eduardo Galeano
17-01-2009

Comic en formato jpg ( 1.4 MB)
Nochebuena
Eduardo Galeano / Iván Lira
24-12-2008

Ojalá
Eduardo Galeano
07-11-2008

Espejos. "La realidad desde el punto de vista de los que la historia oficial los suprimió"
Redescubrir las grandezas desde lo más chiquito
Eduardo Galeano
01-11-2008

A la igualdad por el deporte
Eduardo Galeano
15-10-2008

Olimpiadas
Eduardo Galeano
13-08-2008

Discurso de agradecimiento al título de primer Ciudadano Ilustre del Mercosur. 3 de julio 2008. Montevideo
Collar de historias
Eduardo Galeano
06-07-2008

Capítulo con el cual da inicio al libro del mismo título
Espejos
Eduardo Galeano
25-04-2008

Diosas y reinas
Eduardo Galeano
23-04-2008

La naturaleza no es muda
Eduardo Galeano
22-04-2008

Un nuevo adelanto de su nuevo libro "Espejos. Una historia casi universal"
La historia que duele
Eduardo Galeano
05-04-2008