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Sunday, 11 August 2013

‘Amistad’: O navio negreiro, porão do liberalismo

carta maior
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‘Amistad’: O navio negreiro, porão do liberalismo

A ironia, ou pior, o cinismo que movimenta a história humana batiza o navio negreiro com o fraterno nome de ‘Amistad’ (1997), filme dirigido por Steven Spielberg. Os escravos, a quem a ideologia reacionária chama de passivos e resignados, se rebelam no porão infecto. Sangue europeu começa a jorrar. Por Flávio Ricardo Vassoler

O navio negreiro singra através do Atlântico. Em seu porão, os cativos mal conseguem se esgueirar. A fome e as correntes os paralisam. Em meados do século XIX, a Inglaterra, polícia dos mares, havia decretado a proibição do tráfico de escravos. A mãe da Revolução Industrial queria o implemento do livre comércio e do trabalho assalariado para que suas manufaturas pudessem colonizar o mundo de um modo menos bárbaro – os feitores dão lugar aos industriais e financistas. Só faltou avisar aos ingleses que seu vastíssimo império colonial, ao longo de cujo horizonte o sol não se punha, tamanha a sua extensão de oeste a leste do planeta, não poderia participar dos primórdios do liberalismo em pé de igualdade com os gentlemen de Londres. Mas se, como quer Adam Smith, a mão invisível conduz as relações de mercado a um bom termo de equilíbrio, a vista grossa permite que o livre comércio seja forjado sobre o dorso cativo da África. 

A ironia, ou pior, o cinismo que movimenta a história humana batiza o navio negreiro com o fraterno nome de ‘Amistad’ (1997), filme dirigido por Steven Spielberg. Os escravos, a quem a ideologia reacionária chama de passivos e resignados, se rebelam no porão infecto. Sangue europeu começa a jorrar. Logo os espanhóis que comandam o barco viram reféns. Os cativos libertos por seu próprio destemor querem voltar para casa. Mas eles não conhecem as técnicas náuticas e precisam confiar nos antigos algozes para que o navio retorne. Ora, os espanhóis dolosos conduzem o Amistad rumo aos Estados Unidos escravocratas. A rebelião negra logo será julgada por magistrados brancos. 

As queixas e contradições se sobrepõem. A rainha da Espanha sentencia que os escravos lhe pertencem. Os comandantes espanhóis dizem que os cativos haviam nascido em Cuba, colônia espanhola, e que, por isso, “nós não estamos exercendo a prática ilegal do tráfico negreiro. Assim, os escravos nos pertencem”. Os marinheiros norte-americanos, por sua vez, declaram que foram eles que identificaram o barco – “navio negreiro, sem dúvida” – e que, por isso, “somos os novos proprietários da mercadoria humana”. Os mais interessados na questão não podem se pronunciar. Os escravos assistem ainda uma vez acorrentados à deliberação alheia de seu próprio destino. 

O contexto histórico em que a disputa judicial se dá não poderia ser mais explosivo. O judiciário se vê premido pelas demandas do executivo, uma vez que o presidente procura manobrar a questão para evitar um recrudescimento das rivalidades entre o norte industrial e o sul escravista. O espectro da guerra civil ameaça cindir os Estados Unidos. 

− Mas esses negros devem ser punidos, eles chacinaram os brancos que os conduziam para Cuba, onde está a justiça neste país?! – berra o promotor que bem poderia iniciar um abaixo-assinado (extra)oficial para a formação da futura Klu Klux Klan. 

Além do ódio pelos sequestradores que lhes transformaram de homens livres em escravos, que mais teria insuflado o ímpeto de vingança dos cativos contra seus algozes? 

A armada inglesa, polícia dos mares, prendia os traficantes de escravos Atlântico afora. Quando os espanhóis se deram conta de que as tropas da rainha Vitória se acercavam do navio, um velho expediente foi utilizado para que o fardo humano transportado pelo Amistad não ultrapassasse os limites legais para o enquadramento da carga como um contingente de escravos. Entre os 100 africanos, 50 são escolhidos – seleção eugênica que aguilhoa sobretudo mulheres e crianças, os menos aptos para o trabalho na lavoura. (Os nazistas, parentes não tão distantes dos escravocratas, herdariam dos ancestrais o ímpeto pela seleção natural historicamente configurada.) Os 50 mais fortes devem se postar como plateia para aprender in loco a pedagogia do pelourinho. Os escolhidos são acorrentados uns aos outros. Uma rede repleta de pedras pesadíssimas puxará o comboio humano oceano abaixo. Quando o algoz espanhol abre um compartimento do convés e arremessa a rede repleta de pedra contra o mar, um a um os escravos são afogados. (Enquanto os fazendeiros sulistas dormem o sono dos justos e contam carneirinhos tão brancos quanto o algodão colhido por seus escravos, os africanos sobreviventes contam, uma a uma, as 50 ovelhas negras afogadas como bodes expiatórios.) Reiteremos, agora, a acusação (aos berros) do promotor de justiça: 

− Esses negros devem ser punidos, eles chacinaram os brancos que os conduziam para Cuba, onde está a justiça neste país?! 

Quando a senzala incinera a casa grande e transforma o Mississippi em chamas, apenas ocorre a devolução da nota promissória que sequer foi entregue àqueles condenados a trabalhar gratuita e compulsoriamente. 

Mas eis que o liberalismo dos fundadores dos Estados Unidos da América agora se expressa na figura do ilustre John Quincy Adams, sexto presidente dos Estados Unidos e filho do também presidente John Adams. Adams Jr. vem à tona como advogado de defesa dos cativos da Amistad espanhola. Em suas mãos, há um artigo de um político sulista que procura legitimar a escravidão. O ex-presidente dos EUA, como Sócrates, narra a cadeia de argumentos contrários antes de refutá-la cabalmente: 

− Diz o sulista em questão que a escravidão não é contrária à natureza humana, pois para onde quer que olhemos, seja para a história mundana, seja para os textos bíblicos, encontraremos exemplos que atestam que sempre houve subordinação entre os homens – líderes e liderados, senhores e escravos. Hierarquia. Assim, a escravidão não é pecaminosa ou má, mas a corroboração da tradição histórica, sua mais coerente expressão. 

John Quincy Adams, rematado orador, cala as palavras por um sutil lapso de tempo para que os jurados e os espectadores se preparem para – e anseiem por – sua contraposição:

− No entanto, o político sulista agora não mais em questão, mas em xeque, não consegue explicar por que os homens só fazem se rebelar quando se veem privados de sua propriedade mais natural, qual seja, a liberdade. Do contrário, não haveria choro, ranger de dentes, fúria e revolta diante dos feitores. Os homens aceitariam o quinhão do cativeiro de bom grado. Mas a experiência – o mesmo transcurso histórico advogado pelo sulista escravocrata – me autoriza a dizer que o homem vem da liberdade e para ela sempre propende. Tudo o mais é fruto da tirania e do arbítrio que pretende transformar a lógica de uns poucos no cárcere de quase todos. 

Hollywood e suas pesquisas de mercado – essenciais para transformar filmes em demandas artísticas que ratifiquem em termos de bilheteria os investimentos milionários – gostam da grandiloquência que leva o público às lágrimas. A realidade ficcional realiza a justiça para que a realidade histórica permaneça e se reproduza tal como está. Que dizer sobre o liberalismo de John Quincy Adams quando sabemos que o ex-presidente foi um dos principais idealizadores da Doutrina Monroe? Assim falou o presidente James Monroe: “Julgarmos propícia esta ocasião para afirmar, como um princípio que afeta os direitos e os interesses dos Estados Unidos, que os continentes americanos, em virtude da condição livre e independente que adquiriram e conservam, não podem mais ser considerados, no futuro, como suscetíveis de colonização por nenhuma potência européia”. O México, a América Central e a América do Sul bem sabem que a polícia do continente deixou de ser europeia para se tornar estanunidense. A América para os americanos – do norte. Mas, a despeito do entretenimento administrado de Hollywood, o liberalismo abolicionista foi o primeiro aríete para a luta pelos direitos civis nos EUA sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. O judeu Steven Spielberg bem sabe que a lógica do navio negreiro escreveu o prefácio histórico para as câmaras de gás de Auschwitz, Dachau e Treblinka. Nesse sentido, ‘Amistad’ não nos traz apenas a cínica contiguidade entre a amizade e a escravidão, mas insufla ar redivivo para pensarmos, narrativamente, sobre feridas históricas que nossos tempos ainda não conseguiram cicatrizar. 


*Flávio Ricardo Vassoler é escritor e professor universitário. Mestre e doutorando em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP, é autor de O Evangelho segundo Talião (Editora nVersos) e organizador de Dostoiévski e Bergman: o niilismo da modernidade (Editora Intermeios). Periodicamente, atualiza o Subsolo das Memórias, www.subsolodasmemorias.blogspot.com, página em que posta fragmentos de seus textos literários e fotonarrativas de suas viagens pelo mundo. 

Sunday, 28 July 2013

MIA COUTO No livro "Antes de Nascer o Mundo"

Não chegamos mesmo a viver durante a maior parte da vida. Desperdiçamo-nos num espraiada letargia a que, para nosso próprio engano e consolo, chamamos existência. No resto, vamos vagalumeando, acesos por breves intermitências.

Uma vida inteira pode ser virada do avesso num só dia dessas intermitências.

MIA COUTO
No livro "Antes de Nascer o Mundo"


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Sunday, 12 May 2013

Zé Carioca e o imperialismo americano no Brasil

tópicos de história
http://topicosdehistoria.blogspot.com.br/2012/05/ze-carioca-e-o-imperialismo-americano.html


Zé Carioca e o imperialismo americano no Brasil


"A história do Zé Carioca está ligada a uma viagem que Walt Disney fez à America Latina em 1941. O Mundo Vivia sob o impacto da Segunda Guerra. A vinda de Disney - sugestão de Nelson Rockfeller, alto funcionário do governo americano - tinha o propósito de inspirar o desenhista a fazer filmes sobre o nosso continente, como forma de política de boa vizinhança...
A equipe americana esteve primeiramente na região do Lago Titicaca, no Peru, depois na Argentina e finalmente no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro." (Edição histórica Zé Carioca 60 anos)
Introdução

A historiadora Thais Garcia de Oliveira Rocha em seu artigo publicado recentemente na revista Tempo nos ajuda a entender como os EUA usaram os meios de comunicação para exercer sua soberania.

Passadas a primeira e a segunda grande guerra os EUA se tornaram a grande potencia mundial, a maior economia do mundo. Com a Europa devastada os governantes americanos temiam a propagação do comunismo no velho continente, para eles aqueles países em ruína eram mais propensos ao radicalismo e revolução social divergentes da sociedade de livre comércio.

A revolução russa de 1917 tinha se mostrado eficaz transformando a Rússia numa potencia mundial. A situação agora era diferente. A Rússia era um país devastado pela guerra. Conforme Hobsbawm (1995, p. 231) "...enquanto os EUA se preocupavam com o perigo de uma possível supremacia mundial soviética num dado momento do futuro, Moscou se preocupava com a hegemonia de fato dos EUA, então exercida em todas as partes do mundo não ocupadas pelo exército vermelho”.

Os americanos temiam que o comunismo chegasse aos países europeus e A Rússia temia a expansão americana. Por ser uma democracia a política americana de contenção soviética aconteceu de modo sutil através da construção de um sentimento de perigo mundial. Os americanos imbuídos do sentimento de que sua missão (intervencionismo) era de levar a democracia a todos os oprimidos (ao mesmo tempo expandindo sua economia) usou de uma arma peculiar para convencer os americanos e o mundo de que o estilo de vida americano era superior (ufanismo): a cultura*.

Desde o início do século XX os EUA criaram políticas expansionistas para legitimar sua intervenção em outros países. Por exemplo: O Big Stick (Polícia internacional do Ocidente), uma política mais branda através da promoção de filmes nos estúdios de Hollywood³ que promoviam a política de boa vizinhança¹ e o ufanismo americano² pós-guerra (engrandecer o estilo de vida americano em detrimento do inimigo). 

A produção de quadrinhos: "Os quadrinhos tiveram um importante papel na construção do mal soviético, tanto internamente quanto externamente. Sua alta circulação e seu fácil acesso permitiu que a mensagem fosse divulgada em várias partes do mundo, inclusive na Índia, que chegou a adaptar alguns personagens americanos.(ROCHA)" 

Exemplos: O Quarteto Fantástico, Homem Aranha, Homem de Ferro, O Incrível Hulk, Capitão América.

  

 

No Brasil, irei me deter a construção da figura do Zé Carioca que é o representante do Brasil entre os animais falantes do Walt Disney. Para isso irei ter como base o artigo de Roberto Elísio dos Santos - Zé Carioca e a Cultura Brasileira.

A construção da figura do papagaio Zé Carioca se insere no contexto da política de boa vizinhança americana. Os quadrinhos da Walt Disney se caracterizam por possuir elementos culturais dos países em que estão inseridos os personagens. Zé Carioca é um exemplo que veremos mais a frente.

A Origem e características do personagem

"..., Zé Carioca cumpria uma função política: integrar os países da América Latina ao esforço dos aliados" (SANTOS). Para isso, os produtores procuraram eleger alguns elementos culturais brasileiros para a formação do personagem como a cordialidade, simpatia, malandragem, esperteza, indolência, etc.

Segundo Santos, percebe-se quatro fases na construção do personagem Zé Carioca:

I - Fase americana (1942-44): produzido por artistas americanos abordam suas tentativas de subir na vida sem esforço, através da malandragem.

II - Fase de transição (1955): Produzido pelo quadrinista argentino Luis Destuet Zé Carioca se torna um adjuvante nas aventuras protagonizadas por Donald e seus sobrinhos.

III - Fase de adaptação (1961-1970): Produção brasileira. Tem como característica envolver o personagem no cotidiano brasileiro cercado de elementos que caracterizam a cultura nacional.

IV - Fase de assimilação (1971-1990): Aqui o papagaio já está imerso na realidade brasileira de país em desenvolvimento (miséria, dívida externa, ônibus lotado, falta de água em casa) e suas principais características foram aguçadas: aversão ao trabalho, preguiça e malandragem.



Como almoçar de graça (1942)

Zé Carioca e o Goleiro Gastão (1961). 
Ed. 1311, (1976) Retratando a dívida externa brasileira.
"Zé Carioca harmoniza o paradoxo de cordialidade e malandragem, não como contradição, mas como condição intríseca de sua personalidade..." (SANTOS). Ele não é pobre nem rico, sua malandragem é buscar ter uma vida boa, curtir o momento, desfrutar do conforto, etc.

Mickey é aquele que obedece as leis. Pato Donald e Zé Carioca são os excluídos da sociedade. Enquanto Donald luta para ser aceito sem sucesso, o Zé recusa a se submeter a regras rígidas, tem resistência a integração (casamento, família e trabalho). O Zé Carioca absorveu características de personagens presentes na cultura brasileira. Por exemplo: Jeca Tatu e Macunaíma (indolência e malandragem).

A produção do Zé Carioca a princípio de origem americana, com o tempo foi ganhando contornos mais brasileiros incorporando o arquétipo popular - o malandro que vive em situações comuns ao ambiente nacional (samba, carnaval, futebol, folclore, etc). O Zé Carioca é a evolução do malandro brasileiro.



Evolução da Vestimenta do Malandro
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fotografia: colonialismo

Wendell Guedes
 Da Igreja à Moenda: a sociedade colonial brasileira.
Power point















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TINTIN

TINTIN
personagem criada pelo belga Georges Remi (1907 - 1983), mais conhecido como Hergé. Suas histórias em quadrinhos é motivo de preconeitos, racismos e colonialismos.









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http://en.wikipedia.org/wiki/The_Adventures_of_Tintin

Controversy [edit]

The earliest stories in The Adventures of Tintin have been criticised[49][50] for both displaying animal cruelty as well as racial stereotypes, violent, colonialist, and even fascist leanings, including caricatured portrayals of non-Europeans (Ethnocentrism). While the Hergé Foundation has presented such criticism as naïveté,[51] and scholars of Hergé such as Harry Thompson have claimed that "Hergé did what he was told by the Abbé Wallez",[51] Hergé himself felt that his background made it impossible to avoid prejudice, stating that "I was fed the prejudices of the bourgeois society that surrounded me."[29]
In Tintin in the Land of the Soviets, the Bolsheviks were presented without exception as villains. Hergé drew on Moscow Unveiled, a work given to him by Wallez and authored by Joseph Douillet, the former Belgian consul in Russia, that is highly critical of the Soviet regime, although Hergé contextualised this by noting that in Belgium, at the time a devout Catholic nation, "Anything Bolshevik was atheist".[29] In the story, Bolshevik leaders are motivated only by personal greed and by a desire to deceive the world. Tintin discovers, buried, "the hideout where Lenin, Trotsky, and Stalin have collected together wealth stolen from the people". Hergé later dismissed the failings of this first story as "a transgression of my youth".[51] By 1999, some part of this presentation was being noted as far more reasonable, with British weekly newspaper The Economist declaring, "In retrospect, however, the land of hunger and tyranny painted by Hergé was uncannily accurate".[52]
Tintin in the Congo has been criticised as presenting the Africans as naïve and primitive. In the original work, Tintin is shown at a blackboard addressing a class of African children. "Mes chers amis," he says, "je vais vous parler aujourd'hui de votre patrie: La Belgique" ("My dear friends, I am going to talk to you today about your fatherland: Belgium"). Hergé redrew this in 1946 to show a lesson in mathematics.[53][54] Hergé later admitted the flaws in the original story, excusing it by saying, "I portrayed these Africans according to ... this purely paternalistic spirit of the time".[29] The perceived problems with this book were summarised by Sue Buswell in 1988[55] as being "all to do with rubbery lips and heaps of dead animals" although Thompson noted this quote may have been "taken out of context".[51] "Dead animals" refers to the fashion for big game hunting at the time of the work's original publication.
Drawing on André Maurois' Les Silences du colonel Bramble, Hergé presents Tintin as a big-game hunter, accidentally killing fifteen antelope as opposed to the one needed for the evening meal. However, concerns over the number of dead animals did lead the Scandinavian publishers of Tintin's adventures to request changes. A page which presented Tintin killing a rhinoceros by drilling a hole in the animal's back and inserting a stick of dynamite was deemed excessive, and Hergé substituted a page in which the rhino accidentally discharges Tintin's rifle while he slept under a tree.[37] In 2007 the UK's Commission for Racial Equality called for the book to be pulled from the shelves after a complaint, stating that "it beggars belief that in this day and age that any shop would think it acceptable to sell and display 'Tintin In The Congo'."[56][57] In August 2007, a complaint was filed in Brussels, Belgium, by a Congolese student, claiming the book was an insult to the Congolese people. Public prosecutors are investigating, however, Belgium's Centre for Equal Opportunities warned against "over-reaction and hyper political correctness".[58]
Some of the early albums were altered by Hergé in subsequent editions, usually at the demand of publishers. For example, at the instigation of his American publishers, many of the black characters inTintin in America were re-coloured to make their race white or ambiguous.[59] The Shooting Star originally had an American villain with the Jewish surname of "Blumenstein". This proved to be controversial, as the character exhibited exaggerated stereotypically Jewish characteristics. "Blumenstein" was changed to an American with a less ethnically specific name, Mr. Bohlwinkel, in later editions and subsequently to a South American of a fictional country – São Rico. Hergé later discovered that 'Bohlwinkel' was also a Jewish name.[26]


TINTIN
filme dirigido pelo Spielberg - 2011
Secret of the Unicorn


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Mia Couto & Sebastião Salgado

dobras visuais
http://www.dobrasvisuais.com.br/2013/05/o-que-e-fotografia-mia-couto-vi/


O que é fotografia? | Mia Couto VI


Sebastião Salgado: Genesis, Zambia, 2010.
“- Vou fazer uma reportagem da caçada, fui contratado pela mesma empresa que o contratou a si.
- Tenho certeza de que vai gostar. E os leões vão gostar de saber que a morte deles merece uma reportagem.
É a primeira vez que vou participar numa caçada. Devo dizer, sem ofensa, que sou contra.
- Contra o quê?
- Contra as caçadas. Ainda por cima tratando-se de leões.
- O problema, caro escritor, é que você nunca viu um leão.
- Como nunca viu?
- Viu leões em safaris fotográficos, mas você não sabe o que é um leão. O leão só se revela, em verdade, no território em que ele é rei e senhor. Venha comigo a pé pelo mato e saberá o que é um leão. (…)
Henrique Baleiro cumpria o resto do ritual: invariavelmente, metia a carta num envelope que humedecia nos lábios e que depois guardava na mala de viagem. Transportava aquelas cartas para as demoradas caçadas. Levava também uma fotografia desfocada de Martina.
- Está assim, sem foco, para os outros verem, mas não olharem demais. (…)

Sebastião Salgado: Genesis, Congo, 2004.

Sebastião Salgado: Genesis, Botswana, 2007.
Aqueles que matamos, por mais estranhos e inimigos que sejam, tornam-se nossos parentes para sempre. Nunca mais se retiram, permanecem mais presentes que os vivos. (…)
Sou um caçador. Eu não mato, eu caço. (…)
O escritor segue atrás de mim, de máquina fotográfica a tiracolo. (…) Os aldeões suspendem a cerimônia, em silêncio, observam-nos com animosidade. Está patente no olhar que nos lançam: somos intrusos, estamos contaminando o momento. De imediato, o escritor percebe que está fora de questão tirar fotografias. (…)
Então percebo: aqueles caçadores já não são gente. São leões. Aqueles homens são os próprios animais que pretendem caçar. Aquela praça apenas confirma: a caça é uma feitiçaria, a última das autorizadas feitiçarias. (…)
Extasiado, o escritor comenta:
- Espetáculo inesquecível! Uma exibição telúrica, que pena não ter podido fotografar! (…)
Sabia que o pisteiro e a leoa morreram abraçados, como se os dois se reconhecessem, íntimos parentes.
- Tivemos que separar os corpos, com muito custo. Aquilo parecia um parto às avessas. Dizem que o escritor até chorou. Nem conseguiu fotografar. (…)
Máquina fotográfica balançando no peito, o escritor segue atrás de mim. Os espinhos roçam-me as pernas e os braços. Um rastro de sangue é a minha herança. Sou um caçador que sangra mais do que a vítima. (…)
A leoa tinha sido morta junto à estrada. A esta hora já fora conduzida para a aldeia onde iria ser exibida como uma prova do êxito da caçada. Restava o macho, que se apresentava imponente. Por esta razão, o administrador pediu que se fotografasse não a leoa mas o leão: a imagem renderia mais nos noticiários da nação. (…)
- Fotografe-me a mim, junto com o troféu – insiste o administrador. (…)
Não é matar que me fascina. É esse encontro com o esquivo milagre, o fugaz e irrepetível momento.”
Mia Couto em A confissão da leoa [São Paulo: Companhia das Letras, 2012].
Para conhecer mais: Sebastião Salgado: Genesis.
No Dobras:
O que é fotografia? | Mia Couto: I – II – III – IV – V.

Sebastião Salgado: Genesis, Galápagos, 2007.
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descolonizate



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colonialismo - Edgardo Lander



Edgardo Lander (Org.)
A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais
Perspectivas latino-americanas
Colección Sur Sur, CLACSO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina, setembro 2005.






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