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Sunday, 5 May 2013

Estudar, vigiar e punir 'Entre os muros da escola'

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21901&utm_source=emailmanager&utm_medium=email&utm_campaign=Boletim_Carta_Maior_Especial__05052013


Estudar, vigiar e punir 'Entre os muros da escola'

Em uma escola da periferia parisiense, os vestígios do colonialismo francês se fazem presentes. Há adolescentes de vários países da África, do Oriente Médio e da Ásia. O professor de francês (branco) tentará ensinar aos alunos a língua de Voltaire e Rousseau, a língua do Iluminismo. No filme 'Entre os muros da escola' (2008), de Laurent Cantet, é preciso estudar, vigiar e punir.

Início do ano letivo Entre os muros da escola (2008), filme dirigido por Laurent Cantet. Título nada gratuito: é preciso estudar, vigiar e punir. Em uma sala de aula de uma escola da periferia parisiense, os vestígios do colonialismo francês se fazem presentes. Adolescentes de vários países da África, do Oriente Médio e da Ásia. O professor de francês (branco) tentará ensinar aos alunos a língua de Voltaire e Rousseau, a língua do Iluminismo. 

Como entender o projeto das Luzes sem mencionar o papel fundamental que a educação teria para a transformação da humanidade? O problema é que, via de regra, as luzes dos holofotes precisam conviver com as sombras que se insinuam. Que fazer com os povos “bárbaros” que não tiveram o bom quinhão de pertencer originariamente aos domínios franceses? Ora, é preciso colonizá-los, isto é, educá-los. 

No princípio eram os nomes dos alunos. “Vocês devem se apresentar uns para os outros”. Uma aluna árabe e espirituosa interpela o professor: 

− E quanto ao senhor? O senhor não vai nos dizer seu nome? Por que só nós precisamos nos apresentar? 

O processo de descolonização que se aprofundou após a Segunda Guerra trouxe à tona a percepção de que a diferença precisa ter voz. Os soldados coloniais não ajudaram os aliados a derrotar a eugenia de Hitler? Sendo assim, por que a civilização europeia continua a manter o etnocentrismo como uma de suas bases? Sem ter efetiva consciência do pano de fundo histórico que alicerça sua colocação, uma aluna negra interroga o gramático francês: 

− Professor, por que os nomes que o senhor utiliza nunca são africanos ou árabes? Por que sempre temos que ler algo sobre Bill ou Jean? 

Se o professor tivesse consciência do papel social a que é relegado, os muros da escola desvelariam a sala como mais uma cela de aula. Professor e carcereiro. É preciso levantar o braço para falar, é obrigatório ter autorização para ir ao banheiro, é rotineiro aprender tópicos anacrônicos e ossificados que não dialogam com as mudanças sociolinguísticas do francês pós-colonial: 

− Professor, se ninguém mais usa o imperfeito do subjuntivo para falar, por que nós estamos aprendendo isso? Ninguém fala assim. E por que o senhor nos recrimina quando falamos gírias? Por acaso os franceses não vão ao banheiro? Os senhores sempre defecam? Os senhores nunca cagam? 

Pedagogia do cárcere: o processo de ensino também fica emparedado Entre os muros da escola

A escolha do professor de francês como protagonista – ou pior, anti-herói – é certeira. A língua discrimina a nacionalidade, a classe social, o orador docente e os entediados ouvintes discentes. A língua conjuga o poder. Mas o contexto pós-colonial da segunda metade do século XX começa a questionar e a embaralhar os papeis hierárquicos antes nitidamente demarcados. Pais e alunos participam dos conselhos escolares. Para que o poder (escolar) continue a (re)produzir suas advertências e expulsões, é preciso ouvir o que o aluno tem a dizer em legítima defesa. Como muitos diretores e professores fazem questão de frisar, aluno, etimologicamente, é aquele que não tem luz – “a”, não, “luno”, luz –, aquele que, então, precisa aprender. Ainda que a pedagogia democrática postule o respeito à alteridade como um de seus princípios, será que a escola ilhada entre seus muros consegue efetivamente ressignificar e confrontar os processos de exclusão e discriminação? Enunciar que o ensino não é mais o vértice do processo pedagógico antes centrado no professor para falar sobre o processo de ensino-aprendizagem que passa a envolver os educandos na construção das práticas escolares realmente questiona de maneira radical a política hierárquica da instituição? Quando o diretor vai à cela de aula para apresentar um novo estudante à classe, todos precisam se levantar. É bem verdade que o diretor precisa minimamente se explicar, “pois o fato de vocês terem que se levantar não é sinal de humilhação ou de submissão, mas de respeito ao novo colega”. Mas a assimetria das posições permanece. Uma efetiva preparação e conformação para a realidade excludente que os muros da escola só fazem ressoar. 

O filme do diretor Laurent Cantet, nesse sentido, esgarça a ferida e aponta uma série de limitações para a implementação da democracia escolar que a pedagogia da alteridade pretende estabelecer. Ora, seria preciso derrubar os muros da escola para que a instituição fosse vista não como uma mônada fechada em si mesma, como um organismo que se constitui com suas próprias práticas, mas como um microcosmo que articula o e dispõe do conhecimento básico dos cidadãos: o que estudar, como estudar, como se portar – e ter que obedecer. Os estudantes bem sabem que não têm voz na escolha dos livros com que precisam se digladiar. Seus hábitos e conhecimentos locais são simplesmente abstraídos e preteridos pela escola. A educação industrial padroniza o conteúdo do ensino e a obediência discente. Tanto pior, então, se o aluno da periferia parisiense não se parecer com um francês considerado típico. 

Entre os muros da escola se aparta da idílica filmografia escolar hollywoodiana. Ao mestre com carinho: alunos rebeldes e desordeiros encontram um professor idealista e engajado que promove uma verdadeira revolução em sua sala de aula muitas vezes contra o conservadorismo da direção. O voluntarismo da indústria cinematográfica norte-americana é questionado frontalmente. Não se trata apenas de projetar a mudança institucional com um mero apelo à vontade e ao ímpeto. A inércia social não será combatida apenas com o amor à docência. Os alunos da periferia parisiense (e brasileira) já não veem sentido em suas aulas. A escola praticamente não lhes diz respeito. A pedagogia pretende insuflar democracia entre os muros escolares, mas em grande medida ainda não se deu conta de que a sala de aula continuará a reproduzir as clivagens sociais se o âmbito da mera enunciação não for superado. O educando aprende e entende que a diversidade étnica e cultural é uma conquista histórica fundamental que tenta romper com o etnocentrismo. Ao sair da escola, no entanto, a polícia promove mais uma batida e faz com que os alunos se prostrem diante dos mesmos muros escolares que há pouco lhes haviam prometido – e usurpado – liberdade, igualdade, fraternidade e, sobretudo, respeito à diversidade. 

*Flávio Ricardo Vassoler é mestre e doutorando em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP e escritor. Seu primeiro livro, O Evangelho segundo Talião (Editora nVersos), será lançado no dia 20 de abril, às 17h, na livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, ao lado da estação Brigadeiro do metrô. Link com mais informações:http://subsolodasmemorias.blogspot.com.br/2013/03/lancamento-do-livro-o-evangelho-segundo.html. Periodicamente, atualiza o Subsolo das Memórias, www.subsolodasmemorias.blogspot.com, página em que posta fragmentos de seus textos literários e fotonarrativas de suas viagens pelo mundo. 

Monday, 22 April 2013

poesias de boaventura de sousa santos

CONFRARIA - arte e literatura
http://www.confrariadovento.com/revista/numero8/poesia01.htm





boaventura de sousa santos

viagem a centro da pele


 

Ao Espelho no Hostal del Bosque Izquierdo
 
Estou relativamente sólido
entre duas velas
neste hostal errado onde moro devagar
às cinco horas da manhã
quando a cama se enche de condições
e os enigmas, tal como o arroz, só fazem bem
aos intestinos.
Este vidro é uma engrenagem agitada
pelo tremor dos anos e das vísceras:
o álcool concentra-se na urgência de ser útil
enquanto os astros elásticos
explodem em desastres de papel.

A virtuosidade ociosa das mãos
sobre um sexo morto
provoca humildades inimagináveis
que não vêm de dentro nem de fora.

Só as sementes estão no lugar
acondicionadas num museu de espaços.

As águas pensam.
Quando pensam muito
chamam-se espelhos.

 

Jantar numa Sala Deserta

E um retrato obscuro ou incompleto:
não amanhece nem há sombras,
dois corvos, talvez dois corpos
oscilam a meia altura
entre uma cama ofegante ou irrespirável
e um vaso de sumo violento
ou apenas desconfiado do sucedido

a composição dos fragmentos
parece mover-se por descuido
e aproxima-se de um rasgo fundo
onde está uma mãe
à espera
por engano

o desassossego
concentrado onde não deve:
a doce fibra do ventre
entretém-se à beira do gozo
com palavras milenárias
para guardar o sangue dentro.

Os ventos
levam sempre as instruções do corpo
até onde não há vento
 


Um Cigarro no Bradley's

Sempre que acendo um fósforo
com o micro-rigor que recomendas
queimo-me
e a todas as cautelas em redor

reduz-se a razão
às razões que temos,
concentra-se o futuro
nas proximidades,
repetem-se erros fanáticos
até parecerem diplomas
de descuidos bem estudados

entretanto os séculos
acumulam-se e o corpo
mesmo deitado
tropeça

só o fim começa
 


Os Pássaros de Fordwich

Escrevo-te ao microscópio
e pergunto-me se é comum
não ser parecido com o nome.

Sei que é portátil
e de arrumação instantânea
como os botões e as chaves
mas também sei
que nos tamanhos mais perfeitos
não cabem coisas simples
como a tesão inesperada da tarde
ou a língua avulsa do sexo
que me deixa à rédea solta
até poder estar de volta.

Se me perderes
chama ao acaso pelos pássaros de Fordwich
pelo cormorant, crested grebe, canada
goose, moor hen, coot, swan,
cygnet
talvez acertes,
se não em mim,
em quem estiver perto e me conheça.

O nome é uma imitação
que alastra e dura.



Superfícies Apetecidas


Os aromas não chegam a incendiar.

Os lugares são breves
e não se entregam até ao fm:
entretanto escurece
e o dia seguinte já não é aqui.

Estão proibidas as palavras numerosas,
mas ninguém está preparado
para verdades abruptas.

Debruço-me o mais que posso:
não vejo mais que os pés,
carne dupla
que nem sequer exagera
e caminha para mim como um parente afastado
que terei esquecido anos a fio
entre a louça da cozinha.

Vou e venho no mesmo bar
inconsistente como as conclusões
que ficam para depois:
terei desobedecido a algum anúncio?

 

Se Eu Fosse Mulher

Se eu fosse mulher,
teria uma história pessoal para contar.
Se eu fosse mulher,
diria as amenidades do costume
de modo impessoal e com os dentes cerrados
para não ofender as autoridades.
Se eu fosse mulher,
diria obrigada, obrigada
e seria obrigada a dizê-lo até estar grata.
Se eu fosse mulher,
sentiria a revolta do corpo
que chega sempre tarde de mais
por culpa d'outrem.
Se eu fosse mulher,
entraria em casa como quem sai de si
e sairia de casa como quem sai de si.
Se eu fosse mulher,
trocaria mil carícias
por uma e um discurso
sobre o preço justo.
Se eu fosse mulher,
estava sempre à entrada e à saída dos poderes
nunca dentro, sempre fora,
e sem mostrar vontade de entrar ou de ir embora.
Se eu fosse mulher,
teria filhos e os filhos dos meus filhos
e talvez ainda fosse culpada pelos filhos dos outros.
Se eu fosse mulher,
estaria aqui e ali, agora e sempre,
amanhã e depois, em cima e em baixo,
sem nunca poder estar por estar,
ou estar talvez
ou não estar nunca.
Se eu fosse mulher,
não me podia esquecer dos aniversários
nem das coisas simples como pílulas e preservativos
ou como menstruar-me fora dos fins de semana.
Se eu fosse mulher,
a população toda do mundo dependeria de mim,
mas como se fosse eu a depender dela.
Se eu fosse mulher,
leria as cartas
e seguiria à risca os sentimentos
sem poder dar nada a entender.
Se eu fosse mulher,
daria ao mundo todos os orgasmos
sem deixar nenhum para mim.
Se eu fosse mulher
teria à minha disposição um catálogo de doenças
e só se fosse puta ou louca
me serviria para além dele.
Se eu fosse mulher,
preparava a comida a pensar em explosivos.
Se eu fosse mulher,
teria de me deitar devagar,
não fosse o sono acordar.
Se eu fosse mulher,
sentiria as mãos onde não queria
e quereria as mãos onde as não tinha.
Se eu fosse mulher,
teria de fazer do trabalho alegria e da alegria trabalho e do trabalho trabalho e da alegria tristeza.
Se eu fosse mulher,
teria de me sentir em ruínas
para alguém se não sentir em ruínas.
Se eu fosse mulher,
teria de esperar que alguém me dissesse
e esperar o momento para lhe dizer que não me dissesse.
Se eu fosse mulher,
teria de cair nos braços com mil cuidados
para cair no lugar e no momento certos
e sobretudo para não magoar.
Se eu fosse mulher,
desejaria repetidamente Bom Natal, Feliz Ano Novo, feliz aniversário a toda a gente
e defender-me-ia em silêncio
de quem me desejasse tudo
de repente.
Se eu fosse mulher,
teria de dar prazer às claras
para ter prazer às escondidas.
Se eu fosse mulher,
o mundo esmagar-me-ia com gratidão.
Se eu fosse mulher,
teria de tomar conta de quem toma conta
até cair de bruços
nos meus braços.
Se eu fosse mulher,
cantaria o futuro no supermercado
e usaria o tempo entre o jantar e o arrumar da cozinha para escrever um grande poema.
Se eu fosse mulher,
o meu computador estaria decorado de recados domésticos,
tais como, sal, arroz, fraldas, aniversário, dentista,
escola, pediatra, lâmpadas, sobremesa, luz, telefone.
Se eu fosse mulher,
daria a Deus o que é de Deus
e a César o que é de César
e seria egoísta se reclamasse
de não ficar nada para mim.
Se eu fosse mulher,
ao menos viveria mais tempo
estatisticamente.
Se eu fosse mulher,
seria demasiado honesta, por não ser puta,
e demasiado puta, por não ser honesta.
Se eu fosse mulher,
não haveria melindres que me melindrassem
e apertaria o coração violentamente
até ele se abrir a toda a impertinência.
Se eu fosse mulher,
investigariam o meu corpo cientificamente
e eu leria os resultados nos jornais
sem me deixar ofender por tanta eloquência.
Se eu fosse mulher,
seria mortal
apesar de viver mais tempo
que os imortais da família.
Se eu fosse mulher,
iria passear preocupada com o passeio
despreocupado das crianças e do marido
e com a preocupação dos que passeiam preocupados
ou nem sequer passeiam
para não se preocuparem.
Se eu fosse mulher,
teria de ter ânimo para me vestir e despir
segundo a moda e o emprego,
e manter a calma
apesar do medo
na alma.
Se eu fosse mulher,
teria de servir Deus, Pátria e Família
e ficar à espera dos deveres
sem poder dizer que o Diabo escolha.
Se eu fosse mulher,
quereriam que eu fosse mulher
e eu seria,
mas só na condição de o homem
ser apenas homem
tanto de noite como de dia.
 


BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS é diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison. É um dos principais pensadores das questões sociais contemporâneas em língua portuguesa. Sociólogo, autor, entre outros, da coleção Reinventar a emancipação social: para novos manifestos, em sete volumes, da editora Civilização Brasileira. Mais conhecido como pensador, é autor de Escrita INKZ, livro que o lançou como poeta no Brasil. Os poemas acima, inéditos, fazem parte de um próximo livro, a ser lançado pela editora Aeroplano.

Saturday, 20 April 2013

NUESTRO NORTE ES EL SUR

NUESTRO NORTE ES EL SUR

Joaquín Torres Garcia
América invertida, 1943

"Tenho dito Escola do Sul porque, 
na realidade, nosso norte é o Sul. 
Não deve haver norte, para nós, 
senão por oposição ao nosso Sul. 
Por isso agora colocamos o mapa ao contrário, 
e então já temos uma justa ideia de nossa posição, 
e não como querem no resto do mundo. 

A ponta da América, desde já, prolongando-se, 
aponta insistentemente para o Sul, 
nosso norte.”

Joaquín Torres García. 
Universalismo Construtivo
Buenos Aires: Poseidón, 1941.
*

Wednesday, 27 March 2013

CLÓVIS IRIGARAY - artista do evento

CLÓVIS IRIGARAY

pinturas gentilmente cedidas pelo artista para o evento.

piquenique da fase Xinguana
~ Clovis Irigaray


índio na canoa da fase Xinguana
~ Clovis Irigaray


homens trabalhando
~ Clovis Irigaray

*

Clóvis Huguiney Irigaray [Pintor Brasileiro]

http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2012/03/clovis-huguiney-irigaray-pintor.html


Clóvis Huguiney Irigaray [Pintor Brasileiro]

Clóvis Huguiney Irigaray, o Clovito, como é carinhosamente chamado, nasceu em 1949, na cidade de Alto Araguaia. Manifestou vocação para o desenho muito cedo, segundo o artista a mãe também tinha facilidade para desenhar. Já no ginásio, em sua cidade natal, obteve o prêmio em concurso de alunos, com “Retrato de Cristo” (1963). Dá inicio à sua carreira em 1968 com a Exposição “Cinco artistas de Mato Grosso”, na galeria do Cine Bela Artes de São Paulo e XXIII Salão Municipal de Belo Horizonte (MG) e diversos outros. Em 1974 participa da Bienal Nacional de São Paulo, e em 1975, além de participar da versão XXIV do salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ganha prêmio aquisição no VI salão Paulista de Arte Contemporânea.
Clovito é um dos artistas que mais representa a gênese da pintura moderna em Mato Grosso, ao lado de Humberto Espíndola, João Sebastião, e Dalva de Barros. É por sugestão de Espíndola, que começa a pintar os índios. O índio, segundo Irigaray, é sua grande descoberta e a realização de sua natureza.
Irigaray também desenvolveu em Cuiabá atividades no Museu de Arte e Cultura da UFMT, e em 1975, dá início a sua fase indigenista, através de um enfoque hiper-realista. Desse período para cá diversas exposições, e prêmios em salões.


Entre eles, destacam-se: Galeria de Belas Artes - SP, XXIV Salão de Artes Modernas - RJ, VI Salão Paulista de Arte Contemporânea - SP, Belo Horizonte - MG, Vitória - ES, Rio de Janeiro - RJ, Goiânia - GO, Campo Grande - MS e Cuiabá - MT.



Clóvis Irigaray teve segundo Camol D'Évora, "o melhor trabalho indiscutivelmente, na opinião dos jurados. Sua arte contemporânea cheia de expressividade, sem tendência específica, que não se enquadra em nenhuma classificação, seduziu o júri. (...)"
(Camol D'Évora, 1.996. 
Por ocasião da XVI Interart  
em Presidente Prudente, onde o 
artista conquistou o grande prêmio.)

Participações Especiais:

• 1.995 - Júri do III Salão da Primavera em Cuiabá - MT
• 1.997 - Júri do V Salão da Primavera em Cuiabá - MT
• 1.997 - Júri do III Salão de Arte Moderna de Mato Grosso - Cuiabá - MT

O artista possui obras na Pinacoteca da Fundação Cultural de Mato Grosso e no Museu de Arte e Cultura popular da UFMT.


Críticas da Obra de Irigaray

"(...) Esse jovem de 27 anos de idade, tem, realmente, um bom desenho figurativo realístico que, monumentalizado, adquire um novo interesse, inserindo-se na corrente atual denominada hiper-realismo. (...)"
(Frederico de Moraes, 1.975, 
(Por ocasião do Salão Nacional de Arte Moderna)

"(...) Clóvis faz introspecções. É um rapaz triste. Sozinho. Utópico, que visualiza um mundo diferente, onde deseja que o índio seja respeitado. Anima-o o índio santo. O índio, imperador. O índio empresário de Coca-cola. O índio, Todo-Poderoso dos meios de comunicação. O índio, astromauta. (...)".
(Ernistina Karmam, 1.975, 
Folha da Tarde, SP_SP)
Autor da antológica série de desenhos Xinguana, Clóvis Irigaray se tornou um dos maiores artistas brasileiros. Na década de setenta, ele insere o Índio em ambientes da então “sociedade civilizada”. A aculturação é o tema central. Utopia e humor mostram toda a modernidade de seus desenhos hiper-realistas.
(Mirian Botelho)

Precursor da modernidade das artes plásticas no Estado, Irigaray é o avesso do avesso, e a sua irreverência é notada, principalmente, na sua forma de ser. Tanto que assimilou aos poucos os elementos simbólicos das culturas indígenas, sem nunca ter visitado nenhuma aldeia.
A influência é tão forte que passou a registrá-la em seu corpo. E a “reproduzir” o índio com uma fidelidade quase fotográfica, e a inserir as imagens na sociedade de consumo, ora transveste de general, astronauta, empresário, atleta, e professor. Consegue criar um cenário ilusório e real, “quase real”. Mas o que é real em arte?
(Serafim Bertolo)

Alguns trabalhos de Clovito

Jesus Cristo. 65x95. Giz pastel sobre schüller_1988.



Índia amamentando, 70x100, Técnica Mista (AOST), 1996.
Pequeno Índio e Girassóis. 80x60. AST_2000.
                                                 
   Cristo. 62x72
                                              

Encontro. 100x100. AST_1996.
                                               


Sagrado coração do Xingu II. 50x70. AST.
                                  
Madona Rosa. 0,60mx0,80m_O.S.T
São Luiz Gonzaga Xingú. 0,90m x 1,00m_O.S.T
Negro Índio. 50x70_AST.
                                                      
A criação do Índio. OST.

  São Sebastião e Menino Jesus. 70x90_AST

Gioconda. 68x78. AST_1996.
Juris Lex. 1,00mx1,00m_O.S.T

Fonte de pesquisa:
Diário de Cuiabá por Miriam Botelho



Clóvis Huguiney Irigaray 
Todos os direitos autorais são reservados ao autor

Monday, 18 March 2013

Mia Couto - identidade


Identidade
Preciso ser um outro 
para ser eu mesmo 

Sou grão de rocha 
Sou o vento que a desgasta 

Sou pólen sem insecto 

Sou areia sustentando 
o sexo das árvores 

Existo onde me desconheço 
aguardando pelo meu passado 
ansiando a esperança do futuro 

No mundo que combato morro 
no mundo por que luto nasço 

Mia Couto
"Raiz de Orvalho e Outros Poemas"






Saturday, 16 March 2013

BANKSY

BANKSY













eduardo galeano

EDUARDO GALEANO

as veias abertas da américa latina



..............
el muro




chico - Não Existe Pecado ao Sul do Equador



Não Existe Pecado ao Sul do Equador

Chico Buarque

Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor
Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me usa, me abusa, lambuza
Que a tua cafuza
Não pode esperar
Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se esgota, me bota na mesa
Que a tua holandesa
Não pode esperar
Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado, rasgado, suado a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é missão de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou embaixador




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