Sunday, 12 May 2013

Zé Carioca e o imperialismo americano no Brasil

tópicos de história
http://topicosdehistoria.blogspot.com.br/2012/05/ze-carioca-e-o-imperialismo-americano.html


Zé Carioca e o imperialismo americano no Brasil


"A história do Zé Carioca está ligada a uma viagem que Walt Disney fez à America Latina em 1941. O Mundo Vivia sob o impacto da Segunda Guerra. A vinda de Disney - sugestão de Nelson Rockfeller, alto funcionário do governo americano - tinha o propósito de inspirar o desenhista a fazer filmes sobre o nosso continente, como forma de política de boa vizinhança...
A equipe americana esteve primeiramente na região do Lago Titicaca, no Peru, depois na Argentina e finalmente no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro." (Edição histórica Zé Carioca 60 anos)
Introdução

A historiadora Thais Garcia de Oliveira Rocha em seu artigo publicado recentemente na revista Tempo nos ajuda a entender como os EUA usaram os meios de comunicação para exercer sua soberania.

Passadas a primeira e a segunda grande guerra os EUA se tornaram a grande potencia mundial, a maior economia do mundo. Com a Europa devastada os governantes americanos temiam a propagação do comunismo no velho continente, para eles aqueles países em ruína eram mais propensos ao radicalismo e revolução social divergentes da sociedade de livre comércio.

A revolução russa de 1917 tinha se mostrado eficaz transformando a Rússia numa potencia mundial. A situação agora era diferente. A Rússia era um país devastado pela guerra. Conforme Hobsbawm (1995, p. 231) "...enquanto os EUA se preocupavam com o perigo de uma possível supremacia mundial soviética num dado momento do futuro, Moscou se preocupava com a hegemonia de fato dos EUA, então exercida em todas as partes do mundo não ocupadas pelo exército vermelho”.

Os americanos temiam que o comunismo chegasse aos países europeus e A Rússia temia a expansão americana. Por ser uma democracia a política americana de contenção soviética aconteceu de modo sutil através da construção de um sentimento de perigo mundial. Os americanos imbuídos do sentimento de que sua missão (intervencionismo) era de levar a democracia a todos os oprimidos (ao mesmo tempo expandindo sua economia) usou de uma arma peculiar para convencer os americanos e o mundo de que o estilo de vida americano era superior (ufanismo): a cultura*.

Desde o início do século XX os EUA criaram políticas expansionistas para legitimar sua intervenção em outros países. Por exemplo: Big Stick (Polícia internacional do Ocidente), uma política mais branda através da promoção de filmes nos estúdios de Hollywood³ que promoviam a política de boa vizinhança¹ e o ufanismo americano² pós-guerra (engrandecer o estilo de vida americano em detrimento do inimigo). 

A produção de quadrinhos: "Os quadrinhos tiveram um importante papel na construção do mal soviético, tanto internamente quanto externamente. Sua alta circulação e seu fácil acesso permitiu que a mensagem fosse divulgada em várias partes do mundo, inclusive na Índia, que chegou a adaptar alguns personagens americanos.(ROCHA)" 

Exemplos: O Quarteto Fantástico, Homem Aranha, Homem de Ferro, O Incrível Hulk, Capitão América.

  

 

No Brasil, irei me deter a construção da figura do Zé Carioca que é o representante do Brasil entre os animais falantes do Walt Disney. Para isso irei ter como base o artigo de Roberto Elísio dos Santos - Zé Carioca e a Cultura Brasileira.

A construção da figura do papagaio Zé Carioca se insere no contexto da política de boa vizinhança americana. Os quadrinhos da Walt Disney se caracterizam por possuir elementos culturais dos países em que estão inseridos os personagens. Zé Carioca é um exemplo que veremos mais a frente.

A Origem e características do personagem

"..., Zé Carioca cumpria uma função política: integrar os países da América Latina ao esforço dos aliados" (SANTOS). Para isso, os produtores procuraram eleger alguns elementos culturais brasileiros para a formação do personagem como a cordialidade, simpatia, malandragem, esperteza, indolência, etc.

Segundo Santos, percebe-se quatro fases na construção do personagem Zé Carioca:

I - Fase americana (1942-44): produzido por artistas americanos abordam suas tentativas de subir na vida sem esforço, através da malandragem.

II - Fase de transição (1955): Produzido pelo quadrinista argentino Luis Destuet Zé Carioca se torna um adjuvante nas aventuras protagonizadas por Donald e seus sobrinhos.

III - Fase de adaptação (1961-1970): Produção brasileira. Tem como característica envolver o personagem no cotidiano brasileiro cercado de elementos que caracterizam a cultura nacional.

IV - Fase de assimilação (1971-1990): Aqui o papagaio já está imerso na realidade brasileira de país em desenvolvimento (miséria, dívida externa, ônibus lotado, falta de água em casa) e suas principais características foram aguçadas: aversão ao trabalho, preguiça e malandragem.



Como almoçar de graça (1942)

Zé Carioca e o Goleiro Gastão (1961). 
Ed. 1311, (1976) Retratando a dívida externa brasileira.
"Zé Carioca harmoniza o paradoxo de cordialidade e malandragem, não como contradição, mas como condição intríseca de sua personalidade..." (SANTOS). Ele não é pobre nem rico, sua malandragem é buscar ter uma vida boa, curtir o momento, desfrutar do conforto, etc.

Mickey é aquele que obedece as leis. Pato Donald e Zé Carioca são os excluídos da sociedade. Enquanto Donald luta para ser aceito sem sucesso, o Zé recusa a se submeter a regras rígidas, tem resistência a integração (casamento, família e trabalho). O Zé Carioca absorveu características de personagens presentes na cultura brasileira. Por exemplo: Jeca Tatu e Macunaíma (indolência e malandragem).

A produção do Zé Carioca a princípio de origem americana, com o tempo foi ganhando contornos mais brasileiros incorporando o arquétipo popular - o malandro que vive em situações comuns ao ambiente nacional (samba, carnaval, futebol, folclore, etc). O Zé Carioca é a evolução do malandro brasileiro.



Evolução da Vestimenta do Malandro
*

4 comments:

  1. Walt Disney lançou Zé Carioca em 1942 num espetacular filme em Technicolor, a maior invencão desde o cinema falado. Sua inspiração está relacionada a Política da Boa Vizinhança dos Estados Unidos, a Segunda Guerra Mundial, o presidente Getúlio Vargas, a população brasileira, em especial o sambista Paulo da Portela, o cartunista José Carlos de Brito e Cunha, e o músico José Patrocínio de Oliveira.

    De acordo com a piada, Adolf Hitler sabendo das intenções militares do Brasil, disse: “O Brasil só vai zarpar o dia que as cobras brasileiras fumarem cachimbo”.

    E a cobra fumou e o papagaio também em março de 1943 quando manchete do jornal The New York Times informa a decisão do Brasil de enviar tropas para a Europa. O Brasil serviu de trampolim e enviou cerca de 25 mil soldados, mais de 400 morreram e 14 mil soldados alemães se renderam aos soldados brasileiros, um dos “soldados” era José (Joe) Carioca, o talkative parrot ou Zé Carioca.

    Em 1941 antes de produzir o filme “Olá Amigos”, Disney viajou pela América Latina para estudar e produzir alianças a pedido do governo americano. No Brasil, no Hotel Copacabana Palace no Rio, as piadas de papagaio, encontros com Paulo da Portela, José de Oliveira, José Carlos, foram dicas pra escolha, desenho e criação do personagem brasileiro, o papagaio Zé Carioca.

    Karai Oca, eram índios que habitavam o litoral do Rio de Janeiro em 1500, ajudaram os portugueses na construção de casas, em Inglês white house, casa branca ou homens casa branca.

    A palavra carioca foi usada pela primeira vez em 1830, carioca é o nativo do Rio de Janeiro ou qualquer morador do Rio que conhece e se adapta as importantes regras locais e tem atitudes corretas.

    Zé Carioca confunde-se com Zé Pelintra, personagem folclórico e espiritual das mitologias afro-brasileiras, espírito presente nos bares e jogos. O visual se assemelha aos zoot suits, usado por negros e latinos nos EUA na década de 1940, e também pelos sambistas cariocas.

    O chapéu panamá, de fibra clara com uma faixa preta, ficou conhecido quando o presidente americano Theodore Roosevelt (1901-1909), visitou as obras do Canal do Panamá (1903) usando o chapéu. Embora tenha esse nome é produzido no Equador, país da linha imaginária que divide o globo ao meio. Foi visto com Santos Dumont , Tom Jobim e com presidente Franklin Roosevelt (1933-1945) em visita ao amigo presidente Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954).

    Em 1942, Zé Carioca já aparecia em revistas e histórias nos jornais de domingo nos EUA como José ou Joe Carioca. Uma curiosidade é que “G.I.” Galvanized Iron (aço galvanizado) ou Government Issue (enviado do governo) eram chamados os soldados americanos na Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), e G.I. Joe na Segunda (1939-1945).

    Além de participação na guerra e em filmes, Zé Carioca participou de peças de teatro, aparições em revistas, jornais, selos, brinquedos, pingentes, porta-treco, relógios, camisetas, cartazes, apontador de lápis, livros, gibis e etc, participou de um programa da TV Globo (1996).

    Antes, em 1939, Roberto Marinho (Jornal O Globo/O Globo Juvenil/O Pato Donald) adquire exclusividade para publicação dos personagens da King Features Syndicate (Zé Carioca em 1943). Já no início da década de 60 a Abril lançou a revista Zé Carioca, com conteúdo totalmente produzido pela Abril e, posteriormente, exportado para outros países.

    O Boni, diretor de TV, conheceu o músico que fazia a voz do Zé Carioca no cinema, José de Oliveira, e que por seu jeito engraçado teria sido inspiração para Disney. Em uma das conversas com Oliveira, Boni revela que para desenhar o Zé Carioca, cartunistas pediam para o zezinho se mexer e sambar, e ele dizia: mas eu não sei sambar, sou paulista!

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  2. Walt Disney lançou Zé Carioca em 1942 num espetacular filme em Technicolor, a maior invencão desde o cinema falado. Sua inspiração está relacionada a Política da Boa Vizinhança dos Estados Unidos, a Segunda Guerra Mundial, o presidente Getúlio Vargas, a população brasileira, em especial o sambista Paulo da Portela, o cartunista José Carlos de Brito e Cunha, e o músico José Patrocínio de Oliveira.

    De acordo com a piada, Adolf Hitler sabendo das intenções militares do Brasil, disse: “O Brasil só vai zarpar o dia que as cobras brasileiras fumarem cachimbo”.

    E a cobra fumou e o papagaio também em março de 1943 quando manchete do jornal The New York Times informa a decisão do Brasil de enviar tropas para a Europa. O Brasil serviu de trampolim e enviou cerca de 25 mil soldados, mais de 400 morreram e 14 mil soldados alemães se renderam aos soldados brasileiros, um dos “soldados” era José (Joe) Carioca, o talkative parrot ou Zé Carioca.

    Em 1941 antes de produzir o filme “Olá Amigos”, Disney viajou pela América Latina para estudar e produzir alianças a pedido do governo americano. No Brasil, no Hotel Copacabana Palace no Rio, as piadas de papagaio, encontros com Paulo da Portela, José de Oliveira, José Carlos, foram dicas pra escolha, desenho e criação do personagem brasileiro, o papagaio Zé Carioca.

    Karai Oca, eram índios que habitavam o litoral do Rio de Janeiro em 1500, ajudaram os portugueses na construção de casas, em Inglês white house, casa branca ou homens casa branca.

    A palavra carioca foi usada pela primeira vez em 1830, carioca é o nativo do Rio de Janeiro ou qualquer morador do Rio que conhece e se adapta as importantes regras locais e tem atitudes corretas.

    Zé Carioca confunde-se com Zé Pelintra, personagem folclórico e espiritual das mitologias afro-brasileiras, espírito presente nos bares e jogos. O visual se assemelha aos zoot suits, usado por negros e latinos nos EUA na década de 1940, e também pelos sambistas cariocas.

    O chapéu panamá, de fibra clara com uma faixa preta, ficou conhecido quando o presidente americano Theodore Roosevelt (1901-1909), visitou as obras do Canal do Panamá (1903) usando o chapéu. Embora tenha esse nome é produzido no Equador, país da linha imaginária que divide o globo ao meio. Foi visto com Santos Dumont , Tom Jobim e com presidente Franklin Roosevelt (1933-1945) em visita ao amigo presidente Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954).

    Em 1942, Zé Carioca já aparecia em revistas e histórias nos jornais de domingo nos EUA como José ou Joe Carioca. Uma curiosidade é que “G.I.” Galvanized Iron (aço galvanizado) ou Government Issue (enviado do governo) eram chamados os soldados americanos na Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), e G.I. Joe na Segunda (1939-1945).

    Além de participação na guerra e em filmes, Zé Carioca participou de peças de teatro, aparições em revistas, jornais, selos, brinquedos, pingentes, porta-treco, relógios, camisetas, cartazes, apontador de lápis, livros, gibis e etc, participou de um programa da TV Globo (1996).

    Antes, em 1939, Roberto Marinho (Jornal O Globo/O Globo Juvenil/O Pato Donald) adquire exclusividade para publicação dos personagens da King Features Syndicate (Zé Carioca em 1943). Já no início da década de 60 a Abril lançou a revista Zé Carioca, com conteúdo totalmente produzido pela Abril e, posteriormente, exportado para outros países.

    O Boni, diretor de TV, conheceu o músico que fazia a voz do Zé Carioca no cinema, José de Oliveira, e que por seu jeito engraçado teria sido inspiração para Disney. Em uma das conversas com Oliveira, Boni revela que para desenhar o Zé Carioca, cartunistas pediam para o zezinho se mexer e sambar, e ele dizia: mas eu não sei sambar, sou paulista!

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